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Cadeira Piracema

Contemplação e Reflexão


Foto: @tiago_nunes_foto


A cadeira Piracema transborda em si um rio de histórias e memórias


De acordo com o Instituto Estadual das Florestas, “o termo piracema vem do tupi que significa “pira = peixe” e “cema = subida”, resultando no termo “subida dos peixes”. Ele remete a um fenômeno natural muito importante para a reprodução dos peixes que ocorre com diversas espécies ao redor do mundo. No hemisfério Sul, se inicia em novembro e segue até o mês de fevereiro do ano seguinte.


Aqui na emobilia acreditamos que a natureza é um bem precioso e que toda a fauna e flora que nos cerca é motivo de grande entusiasmo.


Para a criação da nova cadeira nos inspiramos no movimento da subida dos peixes no Rio Cipó.


Mas porque o Rio Cipó?


Andrea, cofundadora da emobilia, conta sobre a sua relevância para o bioma local e para os outros rios ao redor, fala também da sua importância nos vínculos afetivos que construiu na região ao passar por seus entornos a caminho da terra de seus antepassados.


O Rio Cipó nasce na Serra do Cipó, sua foz é no rio Paraúna, que corre em direção ao Rio das Velhas, contribui muito para a riqueza ambiental do ecossistema. É um rio com melhor qualidade de água, maior diversidade de peixes e oferece seu leito para a piracema dos rios a jusante. Possui oito Unidades de Conservação inseridas em seu território, ocupando 38% da área. Quanto à prioridade, 66% da área da UTE é considerada prioritária para conservação.


A Serra do Cipó, a cordilheira do Espinhaço, seus rios e matas fazem parte do nosso cotidiano na oficina e do nosso tempo de lazer. Disso decorre sua influência em nossos processos criativos.


Nos momentos de contemplação da natureza, totalmente em silêncio, olhando para o céu e escutando os sons do ambiente, conseguimos reconhecer a potência do micro e macro cosmos e percebemos a grandiosidade e profundidade da vida. Perdemos a referência da escala humana e nos juntamos à grande Gaia.


Percebemos que de dentro do rio, das suas margens, de dentro das matas ou até mesmo sentados em uma cadeira podemos nos manter conectados. Surgiu então a ideia de criar uma cadeira espreguiçadeira que permitisse a contemplação e que refletisse nossos valores.


Foto: @tiago_nunes_foto


Um móvel pensado para momentos de relaxamento e observação


Quando começamos a projetar a espreguiçadeira, como seriam feitas as dobras do aço para suporte do tecido, visualizamos movimentos de contra fluxo em um rio - o natural seria pensar no rio descendo da cabeceira para a foz – lembramos da piracema, quando as águas estão se movimentando para baixo e os peixes para cima, o que originou a necessidade de um dos principais itens do projeto: uma ilustração que representasse a imagem e o desejo de sensibilizar as pessoas para a importância da preservação dos rios nos tempos de piracema.


O convite para a Luisa Chalck


Artista, ilustradora digital e ativista de tantos âmbitos que não dá nem para listar, Luisa tentou - e conseguiu - representar através de seus talentos um dos momentos mais importantes para a vida dos rios brasileiros. Transformou suas inspirações, que foram muitas, em uma ilustração rica em detalhes e história.


Seu maior guia da vez, Gilvan José Meira Lins Samico, foi um gravurista, desenhista, pintor e professor brasileiro. Um dos maiores expoentes da xilogravura, Samico, autor de uma infinidade de obras famosas e exposições lotadas. E quando o grande mestre ensina, temos que aprender.


Luisa misturou suas referências, colocando em ilustrações traços característicos de sua arte. Representou a vida que transborda nos rios e que, por mais que vá ao contrário do fluxo normal, preenche de energia o movimento dos peixes de um conjunto de rios importantes de Minas Gerais.

Foto: @tiago_nunes_foto

A técnica de estamparia


Apesar de vivermos na era digital, queríamos falar sobre fazer manual, fazer com tempo... Por isso escolhemos uma técnica de estamparia “analógica”, o silkscreen ou serigrafia, que tem suas origens em estampas e gravuras da Dinastia Song (960-1279) e mais tarde, no século XV, os japoneses passaram a utilizá-la para transferir desenhos à tecidos de seda.


Era fundamental encontrar profissionais que representassem nosso desejo amparado nessa técnica, e ainda que pudesse produzir uma grande estampa e em pequena escala. Quem abraçou o projeto para sua execução foram André e Samara, da @olivetto. olivetto. Nossos agradecimentos por terem sido os únicos a topar fazer uma tela de tão grande e diferente do usual.



Desse burburinho de ideias, técnicas, mentes, erros e acertos, nasceu a Cadeira Piracema, uma espreguiçadeira que em seus 90 centímetros de altura, 54 centímetros de largura e 84 centímetros de profundidade, reflete um pouco da nossa história e levanta questionamentos sobre a proteção dos rios e seus movimentos.


Foto: @tiago_nunes_foto

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